As gerações Z e Y e o consumo do futuro

As gerações Z e Y e o consumo do futuro

As gerações Z e Y e o consumo do futuro

Por Sandra Alvarez

 

As gerações Z e Y  (…) vêm revolucionar as relações e interações interpessoais e com as marcas, determinando novas tendências. 

 

Anteriormente, as gerações eram definidas a cada vinte e cinco anos. Atualmente, as mesmas são identificadas em períodos de tempo mais curtos, devido à velocidade a que os hábitos e preferências dos indivíduos se têm modificado. As gerações Z e Y resultam deste novo paradigma e vêm revolucionar as relações e interações interpessoais e com as marcas, determinando novas tendências.

A geração Y abrange indivíduos nascidos entre 1980 e 1996, um ambiente de inovação e desenvolvimento tecnológico, e representa a geração pioneira emsocial media, smartphones e selfies. Vivendo em harmonia com dispositivos móveis, redes de relacionamento virtual e comunicação em tempo real, estes são consumidores informados e exigentes, com forte influência na decisão de compra.

Entusiastas da tecnologia e sob um contínuo fluxo de informação, os indivíduos desta geração particularizam-se pela sua capacidade de realizar várias tarefas simultaneamente, a par do desejo constante de viverem novas experiências. Em contexto profissional, tal resulta na vontade de ascensão rápida e ambição por novas oportunidades e desafios profissionais, sendo comum mudarem de emprego frequentemente.

Por sua vez, geração Z, formada por jovens que têm atualmente até 18 anos, destaca-se pela sua multiculturalidade e desapego de fronteiras geográficas. Estes jovens adotam um comportamento individualista e até algo antissocial, afirmando que se tivessem de escolher um mês a viver sem tecnologia ou sem amigos, optariam pela tecnologia – esta é mais do que uma ocupação, assumindo-se como uma extensão dos próprios.

Apesar do comportamento pouco social impulsionado pelas relações cada vez mais alimentadas virtualmente, esta geração apresenta uma forte necessidade de interação e exposição de opinião, nomeadamente nas redes sociais. Detém, por isso, uma forte presença online e assume uma postura distinta nesta área, tanto a nível pessoal como profissional, estando, por exemplo, recetiva ao contacto de possíveis futuros empregadores através das redes sociais.

Ainda assim, são muito rigorosos e é necessário ser-se prudente aquando se comunica com a geração Z. A maioria dos jovens não gosta de ver anúncios de empregadores em meios sociais e, no que respeita à publicidade, preferem conteúdos produzidos pelos seus semelhantes e tendem a confiar mais em influenciadores como bloggers ou youtubers, do que em celebridades.

Não obstante às diferenças que as caraterizam, Z e Y encontram-se como as duas primeiras gerações digitais e verdadeiramente globalizadas. Encaram, portanto, com naturalidade as relações virtuais e ações como compras online.

Paralelamente, estimam as sensações: se a geração Y procura novas experiências, oportunidades e desafios, a geração Z exige que as emoções estejam associadas aos serviços e produtos que adquire.

Mais do que nunca, torna-se fundamental a segmentação e customização, encarar as pessoas como seres singulares e com vontades próprias. Em breve todos estes jovens estarão não só a comprar como também a influenciar a compra, pelo que a exigência de personalização na interação das marcas deve ser tida em alta consideração

E não nos deixemos iludir pela idade da geração Z!

Críticos e autónomos nos meios digitais, são especialistas em filtrar e bloquear conteúdos de que não gostam, bem como promover partilhas virais conduzidos pela emoção que vivem pelas marcas. Assim, desconhecer as caraterísticas destas duas gerações e aquilo que as diferencia, e não dar resposta às suas preferências, é não respeitar as regras das gerações que ditam os comportamentos de consumo do futuro.

As consequências de desapontar uma audiência tao crítica e proactiva nos diferentes canais de comunicação serão a impossibilidade de estabelecimento de relações e, se pelo meio não surgirem adversidades, pelo menos conduzirá a que as marcas em incumprimento caiam no esquecimento.  

 

Publicado no Público, a 16-04-2016.

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