The Vortex of Change – Entrevista a Alexandre Santos

The Vortex of Change – Entrevista a Alexandre Santos

The Vortex of Change – Entrevista a Alexandre Santos

A segunda Think Digital Talk, organizada pelo ISEG no âmbito da Pós-Graduação em Marketing Digital, teve como orador Alexandre Santos, Business Development Manager da INTEL Portugal, que apresentou a completa e complexa temática “The Vortex of Change – How to thrive in the digital storm”.

Assim, Alexandre Santos falou-nos sobre a profunda alteração dos modelos de negócio e das cadeias de valor que a era digital trouxe às empresas. Hoje, o negócio está cada vez mais assente numa plataforma digital e a convergência digital tem sido transversal a todas as indústrias. A Cloud mereceu igualmente a atenção do palestrante e, claro, da plateia.

No final da sessão o Think Digital teve oportunidade de conversar com o orador e colocar-lhe algumas questões sobre este tema.

Think Digital – Este Vortex of Change, o Turbilhão da Mudança, de que nos falou tem um início identificado, mas terá um fim?

Alexandre Santos – O Turbilhão da Mudança está pendente daquilo que são os ciclos de transição económica, tecnológica… E esses ciclos simplesmente acontecem, com uma frequência cada vez maior e são cada vez mais curtos. Então, eu diria que não tem um fim, vai-se transformar num próximo ciclo, de uma forma gradual em que nós não vamos sentir que já estamos num novo ciclo, mas vamos transitar para lá dentro em breve. Aliás, já estamos a ter sinais dessa entrada com a adoção de tecnologias com modelos de uso completamente diferentes daqueles que tínhamos no passado porque as tecnologias estão muito mais acessíveis financeiramente e já não dependem de tanta performance local para fazerem determinado tipo de serviços, isto porque estão sustentadas sobre a Cloud. Ou seja, essas tecnologias já não são do futuro, são de agora, e será qie vão ser renovadas? Claro que sim. Eu acredito nisso.

 

TD – Faláva-nos também de uma nova geração, os Millennials, que se desmaterializou, não tem os mesmos interesses nem princípios de posse de bens. Tendo em conta esse facto, é uma geração mais difícil de satisfazer? E é neste ponto que entra o Marketing Digital em ação?

AS – Corretamente. São gerações diferentes na perspectiva de consumo de conteúdos e de bens. As novas gerações sentem que aquilo que podem ter é muito melhor se for adquirido como um serviço e a sua capacidade financeira é melhor empregue se for feito com um serviço. Por isso, vão-se dedicar a viver a posse dos bens que não são deles, enquanto que a geração anterior apenas trabalha para manter esses bens na sua posse. A vivência é diferente, são modelos de negócio e modos de estar socialmente completamente distintos e, por isso, são também diferentes de satisfazer. E são desafiantes tendo em conta os modelos económicos que temos atualmente e os perfis que vão receber essas gerações vindouras dentro das empresas.

 

TD – Quanto à alteração das cadeias de valor até nas industrias mais clássicas, há algum receio que a economia digital se sobreponha à economia tradicional ou esse é precisamente o caminho?

AS – Os tumultos sociais que temos visto em Portugal atualmente – com o Uber e os Táxis –  são um exemplo disso, de um novo modelo de negócio que se impõe sobre o tradicional. Depois há também os modelos de carro “Pay Per Use” que já existem em alguns países europeus e disponibilizam carros elétricos para alugar. Isto quer dizer que se podemos ter acesso a um carro elétrico dessa forma – como se passou a ter há uns anos com as bicicletas nas grandes cidades europeias – deixa de se materializar a necessidade de comprar um automóvel.  Logo, as cadeias de valor tradicionais de posse de um bem desaparecem para serem substituídas pelo aluguer, pelo Pay Per Use. E as próprias marcas vão querer estar nesse conceito, mas não na forma fornecedor e sim como alguém que ativamente vai estar nessa cadeia de valor. Isto é a prova de que já se percorre esse caminho.

 

TD – O Real Time Data, que explicou dando o exemplo das séries televisivas, aplica-se a que outros setores de atividade?

AS – Deveria aplicar-se a tudo. Ou seja, as tomadas de decisão em tempo real é algo que nos assiste desde sempre, as empresas sempre tiveram o desejo de tomar decisões com base naquilo que está a acontecer em tempo real. E hoje isso já acontece, independentemente da forma e da fonte em que esses dados nos surgem, são passíveis de serem trabalhados. E também acontece no dia a dia da nossa vida até porque hoje a análise é feita ao segundo e ao cliente individualmente. Ou seja, já não falamos para massas e isto é o que faz a diferença do Digital World que nos rodeia, para aquilo que era o modelo estatístico de uma análise de oferta massificada.

 

TD – O grande desafio está nas empresas, nos CEOS e na indústria porque o meio se adapta às pessoas hoje em dia. Mas o desafio também não estará no individuo? Visto que, quem seja um pouco mais resistente à mudança terá dificuldade em acompanhar a mudança…

AS – O CEO deixou de se ver ele próprio como alguém que participava de uma forma paralela ao modelo de negócio, ou seja, estava ali para assistir o negócio, para alguém que participa nesse modelo de negocio. A internacionalização quer dizer que as empresas vão encontrar novos parceiros que, por vezes, não estão tão bem equipados tecnologicamente nem em meios, nem em recursos, o que significa que essas empresas vão passar a ser Service Providers dos seus próprios parceiros de negocio. Estamos a falar claramente de alguém que deixa de fornecer valor para participar e criar valor.

É possível ver a apresentação que acompanhou o discurso de Alexandre Santos aqui: vortex-of-change-als-iseg-171016

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